“Fica-te mal” é mais do que uma frase — é uma técnica herdada.
São palavras que moldam o corpo, torcem a silhueta e revelam a violência silenciosa da normalização. Um juízo que atravessa gerações, repetido sem questionar, como um eco invisível.
Não é cuidado nem conselho — é correção. O corpo ajusta-se antes de existir, o gesto trava-se antes de acontecer, condicionado por aquilo que “fica mal”.
No limite, é o pináculo de uma ortofrenia enraizada num território onde o desvio não é permitido. Uma herança que não é apenas material, mas também mental, moral e quase ortopédica.
Não protege — pesa.
Funciona como uma lei invisível de retidão, que disciplina e restringe.
Uma herança que ensina o erro como sendo sempre do próprio corpo.
@Paulo Fernandes/starsonline®














